Não posso dormir, pois não quero sonhar
Meus sonhos zombam de mim
Não posso dormir, pois não quero sonhar
Ter-te em diálogos, ditados
Respostas infalíveis,
Mas em meus sonhos sempre deixo-o ir
Não posso dormir, pois não quero sonhar
Com encontros acasos
Olhares exatos
E deixá-lo escapar
Não posso dormir, pois não quero sonhar
A sua vontade de acompanhar-me no café
O interesse pelos meus pensamentos
O desejo de ter-me em seus braços
Não posso dormir, pois não quero sonhar
Com as ilhas que sempre seremos
Com momentos que escorre entre meus dedos
Com o nunca tocar em seus cabelos
Não posso dormir, pois não quero sonhar
Não posso fechar meus olhos
Não posso flechar os teus olhos
Não posso fechar teus olhos
Não quero dormir, pois acordada te sonho
E mesmo nesses sonhos lúcidos
Não o tenho
Não me deixo e deixo-te
Não posso dormir, pois não quero sonhar
Com o vento que assopra-nos para o depois
Para o abismo que nunca irei cair
Pelo céu que nunca irei voar
Não quero dormir, pois já não posso sonhar
Somente recrio falsas lembranças
Farsas que eu mesma acredito
Descri-o e desacredito de mim
Meus sonhos são estúpidos por demais
São cópias do avesso dos desejos trancados
Quadros lúgubres
A própria morte