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domingo, 1 de outubro de 2017

Nós lobas

Nós lobas, não tememos a selvageria, pois nela (re)criamos nossa própria (re)significação enquanto nossa essência. Só tem medo do que é selvagem, e por assim dizer, natural, a criatura quase castrada, amordaçada, retirada aos cativeiros mais cruéis dos homens. Nós lobas, somos selvagens por natureza e (re)existimos, no breu das noites de lua cheia, no ciclo sagrado dos nossos corpos, nos períodos férteis e lúteo, na proteção da nossa alcateia, em caçada voraz, em nosso desejo edaz, nas matas mais gélidas, em solos mais tórridos. Em nossos olhos vermelhos explode altivez e em nosso útero rebentam a vida. A nós lobas ser selvagem é vital. Desse modo, não há outra forma de ser em nosso íntimo. A selvageria que me és visceral, que me percorre e deságua em minhas entranhas é feito cálice, é cura. E não há um dia abaixo deste céu, ou acima desta terra que eu não a sentisse.