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quarta-feira, 8 de abril de 2020

Pedra de rio 
Flor do cerrado 
Arame farpado 
Rio com correnteza 
Sou de Chapada 
Sou corredeira 
Arrastando margens
Sou das barrancas
Mas também sou das águas

sábado, 28 de outubro de 2017

Dedal-de-dama
Trepadeira muito vigorosa, com variável tonalidades de flores, sempre tutorada com arames muito firmes, pois apresenta ramos fortes e pesados.
Das flores que o outono levam ao chão, adaptável em regiões do sol nascente ao poente, leste a oeste, semi-lenhosa. Cabe num enfeite, mas sabe que nasceu para riscar muros, cravar arbustos. Vai na vida criando rumos. Não requer muitos cuidados, quer o mundo. Sendo este o outro lado do muro. Recria-se. Espalha-se com facilidade. Selvagem e resistente, como tinha de ser. Cuidado! As Alamandas são tóxicas.
Estive falando de flores, com a morte delas em minhas mãos. Estive falando também de mim. Confesso o que não deixo escapar. Doravante, entre os vãos de meus dedos a liberto agora e já. Por covardia ou por coragem, sei lá!

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Não posso dormir, pois não quero sonhar
Meus sonhos zombam de mim
Não posso dormir, pois não quero sonhar
Ter-te em diálogos, ditados
Respostas infalíveis,
Mas em meus sonhos sempre deixo-o ir 

Não posso dormir, pois não quero sonhar
Com encontros acasos
Olhares exatos
E deixá-lo escapar

Não posso dormir, pois não quero sonhar
A sua vontade de acompanhar-me no café
O interesse pelos meus pensamentos
O desejo de ter-me em seus braços

Não posso dormir, pois não quero sonhar
Com as ilhas que sempre seremos
Com momentos que escorre entre meus dedos
Com o nunca tocar em seus cabelos

Não posso dormir, pois não quero sonhar
Não posso fechar meus olhos
Não posso flechar os teus olhos
Não posso fechar teus olhos

Não quero dormir, pois acordada te sonho
E mesmo nesses sonhos lúcidos
Não o tenho
Não me deixo e deixo-te

Não posso dormir, pois não quero sonhar
Com o vento que assopra-nos para o depois
Para o abismo que nunca irei cair
Pelo céu que nunca irei voar

Não quero dormir, pois já não posso sonhar
Somente recrio falsas lembranças
Farsas que eu mesma acredito
Descri-o e desacredito de mim

Meus sonhos são estúpidos por demais
São cópias do avesso dos desejos trancados
Quadros lúgubres
A própria morte

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Na madrugada sou eu
Que encontra os barcos abandonados
Que revira os sete mares
Que ancora este coração frio e leviano no fundo do oceano
Que vaga nas noites escuras neste apagão de estrelas
Que busca incessantemente aventuras sombrias
Que chega em ilhas desconhecidas
Somente eu que pauso a respiração para ouvir o quebrar das ondas
Que fecho os olhos para sentir a brisa congelada que pousa em minha pele
Que abro os braços em busca de aconchegar essas ventanias marítimas
Que se alegra com o brilho do farol a distância e não se cansa... não se cansa
Que junta céu e mar quando pensa em navegar
Que consegue sentir o sabor fresco do vento forte da costa
Entre outras, somente eu que sei a hora de parar e continuar
Que sabe a diferença entre de afogar-se e inundar-se
E a única que sabe como achar um caminho para nunca mais voltar