Vou para dentro do meu quarto e fecho a porta, tudo está tão escuro. Deito-me e desejo com súplica que a cama me abrace e me acalme, mas a angústia que perpetua o amargo dos meus dias, queima-me com frieza. Quero me esconder, quero me preservar de tudo o que deixei de fora, pela razão de tudo o que há por dentro. Quão assombroso pode ser a luz do dia?
Quero encolher-me na tentativa inútil de ser esquecida por mim mesma, mas o que deixei do outro lado parece me engolir. Há uma tentativa falha em não existir, mas em alguns segundos, entre as palmas de minhas mãos certifico-me de que ainda estou ali, como um objeto que não compõe o próprio espaço que ocupa. Viro-me para o canto para não ver a fresta da porta, mas é pelas minhas costas que escorrega tudo o que não consegui esquecer... Deslizo-me aos pés da cama, rezo aos deuses que o mito torne-se real.