Somente depois
Do escalpelo arrasador
Com o qual dissecou meu coração
Depois da lixa sanguinária
Com a qual o mundo banhou-me as costas
Somente depois
Sentirei em meus lábios
O sabor real da boa terra
E somente depois
Ao deitar-me na enxurrada da água mansa
Fina, que nada abrasa
Irei morder as gotas macias da manhã
Deixarei gotejar sobre a fenda lisa
Depois
Somente depois
O suco de toda a boa natureza
Inundará as entranhas da boa terra
Depois
Somente depois
O vazio do depois se dissipará