Sem peanhas que me sustente
Sem fé em destino qualquer que me oriente
Em dias horríveis como este
Tão somente tenho aos meus pés
Para calçar o solo deste chão sangrento
Justo um calcante em arado
Perfurando a superfície desta terra exaurida
E nas raízes da ancestralidade que me funda
Qual o meu quinhão neste lastro que me persegue?
No tecido cingido por minha mãe
No aço prensado por meu pai
O que faço, senão costurar
Os retalhos desta vida acidental?
Ainda que alinhavando caminhos e descaminhos
Qual meu ofício nesta realidade dissolvida?
Qual substância me concede significância nesta existência?
E se a matéria real nos criou...
Qual elemento me fundou junto a travessia nesta jangada?