quarta-feira, 7 de abril de 2021

Na vida como espetáculo
Não há mais paz para sorrir ou chorar sozinho/a
Em um mundo essencialmente imagético
Tudo parece ter que ser demonstrado, interpretado e reelaborado
Cuspir lições que tiramos disto ou daquilo
Não há mais o "dia depois de amanhã"
E como espectadores todos precisam ver e sentir
Qualquer coisa
E enxergar a si mesmo
E se identificar
E a falta de identificação abre um abismo para um entendimento entre nós
Os relacionamentos são tão frágeis quanto as orchidaceae
Quando estes chegam a criar alguma liga, mostram-se irreversivelmente quebráveis
Falta vitamina nas unhas da nossa compreensão
Amamos nossas projeções positivas no outro
Odiamos nossas projeções negativas no outro
Perspectivas cheias de pontos cegos
Não estamos preparados/as para caçar
E acabamos por nos tornarmos a preza de nós mesmos.