Contando-se um conto, além de um ponto
Aumentam-se vírgulas
Com esperança, o que não foi dito
Poderia ser escrito e não ser lido
Nem nas linhas, nem nas entrelinhas
O que me resta, pois interrogar?
Talvez minha mais incontida dúvida
A vida é um conto ou um poema?
Talvez fosse a vida, um conto entre aspas?
E a morte? Um ponto final ou reticências?
A vida poderia ser transliterada?
Se o ponto, ora é fim, ora é recomeço
A gestação seria um prólogo?
Então, o nascimento parágrafo?
E todas emoções as exclamações?
Se o final de um conto tem ponto
Recomeçam outros contos
De outros pontos?
Na vida humana, talvez fosse a ortografia a nossa moral?
E a transvaloração de todos os valores a poesia?
O poema liberta, ou a liberdade é um poema?
Eis aqui a eterna veneração da dúvida
Viver é contar um conto ou recitar poesia?
Quem pergunta quer mesmo saber?
Nada tenho contra contos, mas a poesia me interessa muito mais...