O Porto está cheio.
Observo transeuntes e verifico o relógio.
Estou em algum horário, mas ainda não é minha hora.
E já que ela não chega, devo aguardá-la, ou ir até ela?
Não há o que o que façamos.
No Porto, as horas passam, e assim elas vão passando por mim...
À beira da plataforma me pergunto:
O Porto é um ponto de partida? De volta ou só de ida?
O Porto é um ponto fixo?
Ele segura nossos pés, ou dão solo aos nossos voos?
O Porto é chão, ou horizonte?
É portal ou firmamento?
No Porto, pessoas partem e repartem-se.
Há Portos em que as partidas mais se parecem com um parto.
Ainda assim, há quem chame alguns portos de "seguro", mas que seguro é esse que mais aperta do que assegura?
Aprendi com o passar das horas, que nos Portos também há chegadas...
Isso me faz pensar, que as emoções num Porto são muito difíceis de serem compreendidas.
Nos rostos que atravessam os corredores do Porto, há uma linha tênue entre o choro de alegria e o riso de desespero.
Afinal, aquilo que torna o Porto singular dentro de cada um de nós, talvez seja o que representamos nesse Porto.
Aliás, nos encerramentos dos embarques e desembarques, quem somos nós nos Portos dos outros? Chegadas ou partidas?
Somos nós também um Porto? O qual, feitos carne e osso, abrigamos emoções, criações e também outros corpos, com outras emoções, criações, anseios, pensamentos e histórias. Quantas chegadas e partidas o teu corpo traz dentro de si? Qual o Porto do seu corpo? Você é capaz de ser seu próprio Porto?
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