Debrucei-me sobre os livros
Buscando algum sentido na vida
Percebi que ela, digo: a vida sentida,
Não pode ser descrita, impressa, encapada, nem copiada.
Porque esses objetos e suas visões de mundo
Apenas aumentaram minhas prisões,
Transformando-me num ser que produz e reproduz
Uma vida cheia de cadeias.
É nessa hora que eu fecho o livro.
Fico lá fora...
Debruçada sobre o bater de cílios,
Junto dos passarinhos,
Observando os buracos de formigas,
Cavando algumas minhocas.
Há de se fazer todas essas coisas
Dentro do pensar em nada
Quem sabe?
Sentindo a tal da vida
E talvez, vivendo-a.