Derramei minhas palavras sobre a folha castigada. E diante da loucura, curvei-me como um galho seco na estiagem, sufocando em última gota, todo orvalho em mim germinado.
Fui molhando o solo branco e nervurado preenchendo as rachaduras com tinta preta.
Como se fosse Ponta do Mel, onde o sertão pudesse adentrar o mar.
Logicamente, eu não sou mais que um grão de areia desta praia, nem mais que o vento tocando palmeiras, que as pétalas que caem.
Todas as minhas falas não valem mais que o canto doce de um sabiá.
Não sou merecedora de noites mansas, nem mesmo das manhãs gentis.
Vivo à espreita de mim mesma, entre a sonolência do inconsciente e o mau agouro das coisas conscientes.
Como se o presente estivesse vivo no passado e o futuro estivesse morto previamente, mas é somente alucinação, mais uma delusão vívida, gestada no sofrimento da véspera para morrer antes do rebento do dia.